quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Escolha (18) Despertando um Exército


Capítulo 18

A igreja de Cloeville não era pequena, nem grande. Para uma cidade de 30 mil habitantes, 500 membros era um número regular. Contando que haviam 300 bancos e cultos às quintas feiras e domingos – este último em três horários , um bom número de pessoas passava por lá toda semana.

- Passam por aqui, mas não são muitos que se entregam a Deus não é capitão? Indagou Gábrio.

- Sim meu caro, muitos chamados, mas poucos se deixam ser escolhidos por Deus. Seus carros, casas, trabalhos e problemas diários lhes ocupam a mente o tempo todo e se sai alguma adoração para o Senhor de nosso exército, é apenas na hora da súplica.

Os anjos estavam no ponto mais alto da igreja, arquitetura medieval ela tinha e a visão que lhes proporcionava lá de cima era bem ampla e nada animadora. Ao contrário do que os olhos humanos podem ver, os bancos totalmente abarrotados não representavam guerreiros prontos pra lutar. Sim um bando de religiosos preguiçosos, pouco dispostos a colocar a própria cara para bater e muito mais movidos por curiosidade que pelo som da voz do Espírito.
- Mas há de haver fé, sempre há de haver... o Espírito usa até a curiosidade para pescar, não é verdade capitão?  

- Sim meu bravo guerreiro, Ele é mestre em moldar os corações. Não importa o quão molengas ou durões sejam os sujeitos que entraram por aquela porta, todos eles podem ser alcançados e nenhum partirá desta vida sem ter ouvido o chamado de Deus em algum momento... ninguém morre sem conhecê-lo.

A reunião começaria. Nenhum diabrete da host inimiga, além dos que eram hospedeiros de pessoas ranzinzas foram permitidos de entrar. Os cinco demônios de estimação que faziam de Raquel um cachorrinho, também estavam lá, agora sobre os ombros de um garotinho loiro de mais ou menos 12 anos.




 - Meus amados irmãos, membros da Igreja Cristã de Cloeville e visitantes. Essa reunião especial foi convocada por uma razão muito impressionante e importante, trazida por esses 4 jovens aqui. Darei a eles a palavra e peço que todos vocês ouçam com muita atenção.

A verdade é que os quatro não estavam se aguentando, de tanto nervosismo e medo. Estavam trêmulos, mas confiantes de que aquilo era necessário. Havia vidas e almas em jogo. Como os pais de Raquel, a mãe de Davi e os pais dos gêmeos estavam lá e os haviam suportado e ajudado o tempo todo, desde que contaram, havia uma certeza de que conseguiriam e tudo ficaria bem.

O primeiro deles a ir à frente foi o jovem Davi.

Caros irmãos e irmãs, a Bíblia diz que nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra os dominadores deste mundo tenebroso, principados e potestades. Temos todos os motivos para afirmar-lhes que no alguns destes estão aqui na cidade há muito tempo e tramam algo contra ela.

Sussurros de espanto, burburinhos e, acreditem,  risadas, puderam ser ouvidos.

- Não, não não! Não é assim que era pra ser...pensou Raquel. Um ambiente que deveria nos assegurar paz e confiança está mais para um covil de zombadores prontos para sair à primeira coisa que soar mais estranha. Senhor, ajuda-nos!

Os anjos que cobriam todo o local também estavam apreensivos.


Escrito por:  Marco Túlio Machado



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